domingo, abril 19, 2009

A fonte



Se descortina diante de nós um horizonte de vileza
um rio transbordante de mágoas, de oléo negro, sem sutileza
fecho os olhos e a ardência é maior do que estar diante de cenários inóspitos
(tosse...)
Não sei como respirar sentindo um cheiro mais azedo que fel, e vendo trasncorrer mel dos meus bolsos cheios de planos azuis
(espirro..)
A poeira que me inunda não sai dos galpões da arte que um dia vi construir com tanto esforço...
sai das mineradoras onde crianças se esfolam arduamente por centavos, por impérios incrédulos
(espanto..)
Como? Como o homem deixou as árvores, raízes que permeavam a terra com tanto esmeiro, sustentando o sulco da vida, a seiva serena do fruto sabor, como deixou elas encolherem, retorcidas, vencidas pelo descalabro tinhoso desse sistema mórfico...
(lágrimas...)
Ao menos uma criança arrasta latas de frutas industrializadas, fantasiando um trem, com vagão dos avós, onde tem balanças, onde tocam flautas para embalar seu cochilo; vagão dos pais, tios, professores, onde tem mesas para jogarem dominó, xadrez e baterem um papo... e o vagão das crianças, onde passeiam cães e gatos, entre bolas, apitos, pirulitos e velotróis....
ao menos ela se açanha quando ver uma música tocar, quando vê um palhaço (descolorido, faminto, maltrapilho) sentado no batente quente da fábrica que tomou o lugar do circo...
(soluços...)
Preciso encontrar a fonte, a fonte onde tudo se inicia, onde posso beber mais do que água fria...
Lá, lá deve ser quentinho, como o ventre da mãe... lá poderei deitar, seguramente não irei tossir, me espantar, chorar nem ter soluços...
(caminho para a fonte...e diante da fonte, encontra um espelho)

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Havia vastidão em verde

Havia vastidão em verde

Havia uma vastidão em verde
Agora ver-de
há uma vastidão tamanha e dispersa
e há beleza também
Há uma arquitetura sublime na amplidão
Cores se contrapondo e pondo um tom leve
Convidativo para uma chuva
Compátivel ao mais forte sopro do vento
e há também a sensação de maciez nesse monte
paradoxo aos asperos galhos, mas há !
Serviria de esponja para lágrimas cadentes
Para seres machucados, enxarcados de ver
tanta vida
tanta gente
tanto verde

E agora... Ver-de como se encontra alento nesse campo sedento
sedento de olhos atentos aos seus encantos serenos
deixem ao menos o suor, o calor de sua presença emanar este campo com mais vida
Porque vida já há!
E há uma vastidão tamanha... enigmaticamente tamanha

terça-feira, janeiro 27, 2009

O "se" no auge; o "sí" no apogeu



O “se” no auge; o “si” no apogeu


Se uma semente fosse plantada
e com amor cultivada
e os frutos distribuídos
para vizinhos e entes queridos;
Como haveriam estranhos?
Como haveria carência?

Se os olhares fossem trocados
com sincero gesto e afago,
E os cumprimentos fossem dados
com franqueza e amparo;
Como haveriam solitários?
Como haveriam mal-amados?

Se os “lideres” cuidassem
do povo
Como os pastores cuidam
das ovelhas,
e as promessas fossem reais,
alheias ao sentimento materno;
Como haveriam mendigos?
Como haveria inanição?

Até quando escreveremos o “se”?
Até quando viveremos pra “si”?
Até quando será normal ver
criança passando fome?
Até quando será banal ver
jovens fora da escola...
cheirando cola?

Éder Carneiro Cardoso e Silva

quarta-feira, novembro 12, 2008

Já era (! ou ?)


Pensei em seguir
Parei!
achava que era questão de sensibilidade
que estava aquém do momento e da minha idade
Mas logo pude perceber que estava fantasiando-me
Criando verdades, infiltrando minha sensatez
Invadindo minha mente convicta como um vírus invade uma célula, se passando por agente necessário =0 ... e aí... já era...
Já era parte de mim, já se proliferou no meio
Então ficava na brevidade constante, como os suspiros de um cantor a cada verso entoado
Assim eu estava, em busca de fôlego para discernir e controlar a ansiedade - que é inalada junto com oxigênio, nesses tempos modernos - involutariamente contraída
- Mas do que se trata? Qual o problema?
- Não há problemas!!!
- Então, o que é?
- Ora! Estou vivo. O segundo seguinte de vida é um ato seguido, é um novo pesar...pensar.
Não tem lógica. A vida é assim com todos, você não é o único. Explique-se melhor!
- Humm.. não sei... acho que é a liberdade, a dispersão, a variedade de rotas, a metamorfose. O querer de hoje já não é o belo querer de amanhã. E aí, ficamos como um ribeirinho, que nunca entra no mesmo rio; como uma estação de trem, que não difere mais um vagão do outro. Aliás, como os gráos de areia da ampulheta - só funciona se mudar de lado. É isso!! Sou condenado a ter a liberdade de mudar...
- Meu Caro, um barco muda de cais, muda de praia, de oceano, de rota! Mas o seu lemo, a bússola lhe orienta. Não fica a deriva, a mercê do desdém do tempo. Pode mudar. Mude! Mas tenha controle da sua Náu!
- Quando eu tenho o controle, fico fatigado, caio no ostracismo... sei lá. Chegar, chegar. Avante, avante. Será que o diamante é belo porque escolheu ser diamante? Será que a ostra produz pérola porque idealizou antes? A borboleta deixou de ser casulo sem muito murmúrio.
- Meu caro, acredito que estáis se orientando agora. Vejo mais clareza, mesmo que em sua particular destreza.
- Nunca me ensinaram a admirar o sono de um animal. E nem por isso deixei de admirá-lo.
- Meu Caro, Pensei em seguir. Parei! Achava que era questão de sensibilidade; que estava aquém do momento e da realidade. Mas logo pude perceber que estava fantasiando-me.
Criando verdades, infiltrando minha sensatez. (Conluio?)
Invadindo minha mente convicta como um vírus invade uma célula, se passando por agente necessário =( ... e aí... já era?

terça-feira, julho 29, 2008

Tela



Tela


Me pintam sempre

Pintam flor, dor, amor

Sofrimento, céu azul, esplendor

Sob mim registraram uma vila prospera

Que foi sucumbida por um vulcão falido (adormecido)

Só não pintam a paz

Pois ela é alva, límpida como o céu

Eu sozinha, sem tintas, sem pincel

O futuro em traços esquisitos tentaram imprimir

Em moldura moderna me prenderam

Sob olhares nobres me expõem

Em salas de ouro me arrematam

Sinto saudade da minha infância

Num belo jardim, com poucas pinceladas – era feliz

Os pássaros me avistavam ao voar

E faziam seu ninho na arvore que me sombreava

E quando tive o último toque do pincel

Ouvi seu canto triste – mas belo

Hoje estou no museu antigo

Em meio às semelhantes tristes

Mas somos agraciadas pelos olhares de crianças contentes

E comungamos o sonho de voltar ao campo da infância

De retornamos ao primeiro toque do pincel

E avistarmos nossa tela bela

Éder Carneiro Cardoso e Silva

sexta-feira, maio 16, 2008

120 de Abolição ... Façamos uma Nova Áurea ....<>

Abolição já!

Vamos! Abolir a desigualdade

Vamos! Aderir a liberdade

Vamos! Ser uma irmandade

Nessa era de fúteis regozijos

Vamos! Abolir a Lei Áurea

Não se enganem com o passado

Façam já uma Nova Áurea

Defira a eles o que é direito

Torne o Brasil uma Nova África

Faça luzir a amplitude impávida dos pilares deste chão lavrado

Pelo suor e pelo sangue dos heróis do Novo Mundo

Vamos! Não queiram que as gerações vindouras - seus netos - esqueçam

Desse valor, pois o tempo distorce o decreto da Era imperial

Vamos! Instituir já esta Áurea Nova, Completa!

Em prol dos futuros homens desta terra

Vamos! Não nos fitemos com memorandos de redenção

Exerçamos em hora os ideais de uma nação constituída de raças

Que se sobrepõem colocando-se lado a lado

Um Condor passava sobre o mar negreiro e adentrou ao navio insóbrio

Saiu antes de esmorecer pelo horripilo espírito que jaz ia resplandecer

Contudo, carregou a tocha aclamante da liberdade para clarear o pesadelo

Visto pelos homens que enxergara um “sonho” com tamanha insanidade

Repudiando a lucidez ao consentir com a barbárie

Vamos! Ainda estamos inertes, dormindo na lama da vaidade

Nossa pupila ainda enxerga pobreza e inferioridade

Naqueles que a natureza deu vigor e humildade

Oh! Ainda se vê acepção, ainda se fala em superioridade

O Sermão da Montanha deveria ser atualidade

Vamos! Tenhamos consciência do sangue que jorra

Na veia dos descendentes

Este sangue traz aos seus corações as lamúrias

Ecoantes dos que gastaram a vida nas senzalas, nos açoites

Não basta se redimir, dar menções honrosas, além disso, e principalmente,

Dê-lhes seu coração, lugar na sua alma...

Até que um dia não se falará mais nisso

Não se verá mais soluços e vestígios de dor

Nem pautará as leis para este dispor

Haverá tamanha comunhão

Em um estado de igual magnitude e tão comum equanimidade

Que as memórias até então imemoráveis serão transladadas

Ficará a singela afeição pelos lírios dos vales que o fizeram

Lembrar que houve espíritos nobres que inundaram a terra

Com amor sem cessar

Homens audazes, que plantaram clamores e colheram fervores

Da nação almejada

E ver-se-á um Condor voar para os Andes

E ali fitará o mar onipotente, límpido

Coberto de um manto alvo - mais que a neve - que ele tecera

Um poeta será homenageado sempre

Com tanta avidez e espiritualidade

Que o pulsar do coração rimará:

Castro Alves

Éder Carneiro Cardoso e Silva

quinta-feira, março 20, 2008

'Soneto' à musa

Óde à poesia, lua, musa e tudo que conspira

Numa madrugada pouco fria sem estrela cadente
Estava na varanda admirando a lua carente
E pensei: como pode tanto brilho reluzente
Não lhe render mais que a glória de clarear a noite dos amantes

O seu altruísmo em refletir a luz do sol
Faz com que a noite não adormeça o girassol
Mas uma musa adormece enquanto o poeta tece
Seus versos embalados na onda do universo
Que une a lua, a musa e o poeta

Ela estava debruçada na cama de lençóis claros
Senti que exalava e flamejava um fluir intitulável
E me vi fascinado por uma imagem geralmente normal

Era inexplicável e ao mesmo tempo tão explicito
Que ao seu redor havia uma áurea que encantava a noite calma
E minha áurea fascinada a sua áurea contornou

O encanto do sono se revelou
O perfume das tulipas roxas lhe foi destinado
Ela que chamo de musa
Ela que chamo de chama da minha poética

Senti a lua incidir seu brilho com mais intensidade
E as estrelas loucas, querendo me cativar
E roubar a atenção que não conquistava na cidade

Voltei à janela, afaguei-a de longe
Repousei, respirei fundo e senti a paz de um monge

Éder Carneiro Cardoso e Silva

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Era outra vez... (dedicado à Márcio Nietzsche)

*(poesia oriunda de um comentário à poesia de Edson Márcio - Era uma vez)*

Era outra vez...

Era uma vez... um ser humano que "não tinha vez"
que pensava diferente, que andava "de trás pra frente"
que não gostava de abrir os dentes para mostrar que era alegre ou carente
Era uma vez... um homem que conseguiu fazer o percurso de volta...
sentiu o peso da existência e se espantou com a leveza da humana-idade...
Não saracoteou com retrógrados programados para um conluio em vão...
pode até ter sido libertino ou pragmático - mas nunca dogmático!
Encontrou o prazer da vida sem contar os emaranhados onde deleitam-se às coisas supérfluas...
Lançou-se em utopias, musicou tristezas em alegrias, despiu-se mesmo sentindo frio e viu como é vil o homem
Era uma vez... mas poderia ser milhares de vezes...
pois quem não teme a inadimplência do tempo,
não se afugenta diante do mesmo sol em nenhum momento..
Nem o viço, muito menos o vício que lhe medirá na balança etérea da consciência
É mais fácil ele ser descrito em uma coincidência entre o existir e o desistir de ser

Era outra vez... e daquela vez, era o mesmo, sem pseudo-nome, sem sombra nem lei.

Éder Carneiro Cardoso e Silva - 2008

quinta-feira, outubro 11, 2007

Amor incontido


Um dia a gente cansa, de fingir de ser criança.
E uma felicidade infeliz nos acompanha a todo tempo
Como ver os outros cheirando as rosas sem nem perceber o aroma
que passa tão perto
Desejar uma rosa cercada, inalcançável; e não conseguir exalar o cheiro das que consegue colher...
Elas murcham, e você as encharca com lágrimas solitárias.
Lágrimas que refletem a impossibilidade de conter tanto amor por uma só pessoa, que, por força do destino desritmado, é apenas um atalho na sua vida, um trecho que deixará eternas lembranças, doces lembranças.
Pessoa que te encantava nos mais simples gestos.
Ao vê-la dormindo, ficava adimirando-a, como um anjo você adornava-lhe de preces e bons fluidos!
Você vê os ponteiros do destino mudando, distanciando-a cada vez mais. Uma vida que morre, você sente que vai mudar de vida, já que mudará a convivência... e sepultar este cotidiano que te contentava tanto... Não é fácil!
Amo-a com toda minha alma, com minhas víceras efêmeras!
Meu espírito transcende quando nos comunicamos... Sublime sensação!
Todos os momentos se tornam sagrados, vontade de chorar cada vez que olho em seus olhos, cada vez que vejo sua alegria estonteante...
Cada amanhã que desponta no horizonte
Contrasta com cada ontem que desejava reviver como criança
Dormir em seu colo por uma noite...
E nada mais faltaria
Tudo de menos valeria!
Um sono vivo!
Eterno

Éder Carneiro Cardoso e Silva

segunda-feira, agosto 13, 2007

Papel e caneta

O que eu quero escrever agora?
O que me importa nessa hora?
Que tema eu devo salutar?
Que palavra eu devo agigantar?

Será de amores, de dores,
de prazeres, de fervores?
Ou seria da ausência, da falência,
do dramático, do hilário?

Enquanto eu não sei o que escrever
Que sentido obedecer
O tempo passa, e leva junto
a inspiração
pois, esperei o futuro,
desprezei o presente,
busquei outras sensações
e esnobei do coração
as etéreas emoções.

Éder Carneiro Cardoso e Silva

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Foi de repente

foi de repente
o tempo desfez tudo
o olhar ficou desfocado, congelado
desprezando o tempo insólido
olhando formas indecifraveis
onde antes havia sua foto...

e o passado vigorou novamente

não há mais amor
nem glória
nem heróis descendo do céu
apenas a vontade de estar com você
apenas a vontade de estar em seu braço
apenas a vontade de ser o seu abraço
apenas a vontade de te desenhar em um traço
apenas a vontade de te provar que não sou de aço

e as desculpas, como folhas secas
servem apenas pra sonorizar a despedida
enfatizar os passos de alguém que despreza o espaço em meu coração
e esquece que esqueceu o dia que me amou

um diluvio não irá superar meu pranto
um raio não será mais quente que meu clamor
eu não consigo me amar sem você
eu não consigo me olhar sem você
eu não sei viver sem...nem.... vem!

Éder Carneiro Cardoso e Silva 06/02/07

quarta-feira, novembro 15, 2006

Várias poesias e versos soltos

"A tua pupila dilatando diante do meu olhar
a tua pele corada ficando suada com o atrito
entre os corpos
os teus lábios cerrados encostando no meu,
macio como um pêssego, afável como a sêda
sinto um frio e um calor dentro de mim
e uma vontade de esquecer a finitude
deste instante..."
Relaxe

Relaxe, a vida é sutil
Porêm o mundo é vil e nos torna pessimistas.
Relaxe, olhe a sua volta,Observe a perseverança da natureza
Diante do descalabro humano.
Rerlaxe, existe o amor verdadeiro,
Mas é bem provável que você desacredite
Quando passar por decepções inesperadas.
Relaxe, querer agradar sempre
Vai te desagradar quando não puderes agradar constantemente.
Relaxe e ache dentro de si,
A voz da alma que é abafada
Pelo ego que finge ser teu coração.

"O poeta entende a alma do universo quando uni versos"

... e o coração entende que gosta de alguém quando a finitude da companhia se faz presente"

"Saudade: principal percussora das lágrimas que germinam o sentimento por alguém"


Quis rezar para pedir a Deus que te separe para mim
ofereci sacrificios intransponiveis e todo meu louvor por um instante com vc
de magia, clareado pelas estrelas cadentes
Eu fui teimoso, tentei outra vez
Te encontrei, te ninei.
e o sol forte me fez abrir os olhos e te deixar escapar"

"A magia esta na finitude dos bons momentos que passamos com quem nos mostra a amplitude da vida nas pequenas coisas"

" A tristeza é uma represa onde contemos o tédio, a inércia o medo e a nobreza de não dividí-la com ninguém"

"A ignorância é o entupimento do ralo por onde escoa a água com a sujeira do ego"

Poemas, versos soltos e pensamentos por: Éder Carneiro Cardoso e Silva

quarta-feira, agosto 23, 2006

Alma

A marca da alma:
Amar cada alma

quarta-feira, julho 19, 2006

Texto não-recente(2002), valor atual

Visando a vida


No simples avistar da paisagem vejo a beleza da vida
Entrego ao meu pulmão o mais puro oxigênio
E devolvo com satisfação o gás carbônico para a natureza continuar o ciclo;
E tirar do meu pensamento o vício que a civilização insiste em alimentarao achar que ganham mais transformando “ela” em dinheiro, e construindo caos, Ah! Como eu lamento, mas lamentar não adianta.
Quem me dera ver os cientistas clonarem Che Guevara, Gandhi, Martin L. King...
Mas não, eles irão clonar pessoas simples, pessoas que pensam como nós pensamos - apenas pensamos, e não convertemos a fé em ação.É... Construímos em sonhos castelos, e não levantamos nem sequer uma parede de indignação diante do que fazem com a nação;
Respondemos a pesquisas, manifestamos a nossa discórdia, enquanto em nossa cidade tem injustiça, antiética na câmara municipal, e não temos coragem de irmos ocupar nosso espaço na tribuna, e exercermos nossa cidadania.
Ah! Cidadania, será que sabemos traduzir essa palavra, será que somos cidadãos, ou apenas fantoches dos maquiavélicos que insistem em usurpar dos humildes e corromper os ambiciosos, que quase sempre estão do nosso lado, mas não jogam a nosso favor, a favor da justiça, da honra e da verdade.Insensatez?
Descartem-na do nosso vocabulário, não busquemos válvulas de escape.Busquemos o calcanhar de Aquiles daqueles que estão sugando nosso suor, e dão-nos apenas a dose mínima para que sempre estejamos pedindo com a garganta seca mais uma gota d´água, e, ironicamente, a fonte é nossa, eles que se propõem em cuidar, porém quando falham, maquiam os rostos para confundir a massa, que infelizmente, aliás, propositalmente não receberam instruções e conhecimentos para discernir o joio do trigo.
Esses tiranos almejam a oligarquia, esquecem que iram ver a ferrugem degredar sua riqueza, a traça e o cupim consumirem suas especiarias.Ai sim eles verão que muito na mão de poucos, é muita água pra cano frouxo.

Eder Carneiro Cardoso e Silva

Publicado no Recanto das Letras em 02/11/2005Código do texto: T66469

quarta-feira, junho 07, 2006

Postagem dupla






Postagem I de II

Volta em si

Sigo estes passos dia após dia
E ainda sinto esse pesar
Escuto sua voz pelo ar
E esse instante é eterno
É fácil dar a volta no mundo
Quando não se consegue voltar a si mesmo
Vejo as estrelas despencarem ao me ver
Desiludidas com meu coração covarde
Largou o amor por medo de ser dois em um
Queria ser o caçador a todo tempo
Queria ser livre, preso no orgulho
Hoje rogo por você
Mas jamais me ouvirá
Pois o barulho das tuas lagrimas é mais alto
Que meu grito de dor
E o vazio do meu coração é menor
Que tua alma entristecida

Éder Carneiro Cardoso e Silva
28/05/06

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Postagem II de II


Um anjo com tulipas

E numa manhã de sol irradiante
Refletindo no orvalho que ofusca a janela
Chegarei com lindas tulipas a tua porta bem cedinho
E sentarei na escada à sua espera
Quando vieres regar as flores do jardim
Tocarei teu ombro com este ramo
E te abraçarei incontidamente
Um abraço sem validade
Pousarei minhas asas
E deitarei em teu colo
Me encontrarei em teus olhos
Respirando o perfume que as tulipas
Ofegaram na formosa textura dos seus lábios

Éder Carneiro Cardoso e Silva
04/06/06

sexta-feira, maio 26, 2006

Percepção de um sentimento - "Ela em mim"




Ela em mim


O frio é sua ausência
Sinto calor com sua presença
Mas você passa e olha pra mim sem emoção
Pergunta se estou bem, com um ar de esnobação
E eu volto pra casa sozinha, pensando em você
Fico vendo o jardim pela janela – as flores exalam seu perfume
As borboletas vem adorná-las com seu pouso, seu beijo
E procuro em mim o cheiro que te atraiu outrora
Não encontro, e perco a certeza de tê-lo algum dia
Dormir agora não é mais romântico
Não tem mais abraços, pernas entrelaçadas, cheiro no pescoço
Tomar café ficou frio, não tem mais frutas frescas cortadas com carinho
Beijos melados de mel, prato compartilhado com queijo e pão
E os olhos brilhantes de contentamento ao se encontrarem
Não há mais prazer em fazer o almoço cotidiano
Não escuto mais os elogios nem os suspiros ao meu ouvidos
Assistir um filme numa tarde fria é mais frio quer se molhar na chuva
O cobertor se torna gelo sem a pulsação do seu peito sob meu rosto
Durmo sem tomar café para evitar lembrar dos belos instantes
Em que chegavas em casa trazendo rosas e chocolates – e beijos
Esquecíamos o café, íamos pra varanda, você me colocava no colo
Recitava poesias olhando para as estrelas, olhando meus olhos
Hoje, sem você, pude perceber outro sentimento, que me mantém viva
Um sentimento que parece estar em nós desde o principio, é vizinho sempre
Ele não precisa nos tocar sempre, nos beijar para nos fazer bem, nos amar
Ele nos encontra nos momentos mais alegres, e nos tristes dias que vivemos
Afaga nosso coração sem cerimônias, deixar um rastro de saudade, e volta
Quando olhamos a lua, sentimos sua presença, pois ele também nos graceja sempre
Este sentimento denomina-se amizade
Este amante chama-se amigo
O frio passa
O calor volta aos corações
A paixão bate a porta

Éder Carneiro Cardoso e Silva
26/05/2006
17:47

quinta-feira, maio 25, 2006

Mensagem de Amor pela Vida , pelo Ser Humano




"Se eu pudesse deixar algum presente a você... Deixaria acesso o sentimento de amar a vida dos seres humanos. A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo a fora. Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem. Deixaria a capacidade de escolher novos rumos. Deixaria para você se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável: Além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação. E, quando tudo mais faltasse, um segredo: O de buscar no interior de si mesmo, a resposta e a força para encontrar a saída".
(Gandhi)

quarta-feira, maio 24, 2006

Araras da Liberdade


O pássaro e a alma

O homem que coloca um passarinho na gaiola
Faz o mesmo com a alma, impedindo-a de voar
E ao escutar o canto do pássaro ele acha que é alegria
Mas ao ouvir o murmúrio da alma sente-se em agonia

A alma que canta, clama à liberdade para fazer-vos livres
Livres da injúria bebida, da exacerbada racionalidade
Livres do egocentrismo, do desprezo pela origem divina
Todas as almas são gêmeas, todas são princípios da harmonia

Aquelas que são abafadas pelo pensar cru dos homens
Ficam no fundo do coração aguardando a alforria
Para impedir com azáfama que suceda o próprio perecer

Quando rompem as correntes e transladam no coração
Dão primor e encantamento pelo simples acarinhar do vento
E revogam-se contente, no canto absorvente do pássaro a bailar

Éder Carneiro Cardoso e Silva
17-05-06
Resplandecerá no céu do Novo Mundo as Araras da Liberdade...

domingo, maio 21, 2006

Caminho por casa


Caminho constante


Eu sempre sigo algum caminho, é minha condição humana
Eu nunca penso se estou sozinho, sempre sinto sua presença
Faço das pedras percalços para permanecer onde tudo emana
Ponho a mão no bolso para não sentir o frio da insana descrença
.
Começa a chover, a terra transpira, agradece aos céus com frescor
As aves vão para o ninho afagar os pequenos alados sem imunidade
Eu fico junto a uma árvore que relembra o manto de mãe; terno amor
Meu coração sente-se em casa, minha alma não quer voltar pra cidade

O céu termina sua graça e o arco-íris contempla o horizonte convidativo
Meus passos agora estão mais lentos, não tem pressa em sair desse campo
Cada orvalho, cada lírio, cada canto que ouço cria mais uma raiz no solo cativo

Quando piso o último pedaço deste campo, os meus olhos enxarcam-o em prantos
Percebendo o retorno do martírio, a natureza deserdada pela terra de tolos encantos
E já sinto a falta do manto, da chuva, da ave, dos lírios que me apresentaram o eterno campo

Éder Carneiro Cardoso e Silva
21/05/2006 -23:32