terça-feira, julho 29, 2008

Tela



Tela


Me pintam sempre

Pintam flor, dor, amor

Sofrimento, céu azul, esplendor

Sob mim registraram uma vila prospera

Que foi sucumbida por um vulcão falido (adormecido)

Só não pintam a paz

Pois ela é alva, límpida como o céu

Eu sozinha, sem tintas, sem pincel

O futuro em traços esquisitos tentaram imprimir

Em moldura moderna me prenderam

Sob olhares nobres me expõem

Em salas de ouro me arrematam

Sinto saudade da minha infância

Num belo jardim, com poucas pinceladas – era feliz

Os pássaros me avistavam ao voar

E faziam seu ninho na arvore que me sombreava

E quando tive o último toque do pincel

Ouvi seu canto triste – mas belo

Hoje estou no museu antigo

Em meio às semelhantes tristes

Mas somos agraciadas pelos olhares de crianças contentes

E comungamos o sonho de voltar ao campo da infância

De retornamos ao primeiro toque do pincel

E avistarmos nossa tela bela

Éder Carneiro Cardoso e Silva

3 comentários:

marcio m disse...

Quão maravilhoso o nosso tempo de criança,onde pintávamos os nossos sonhos.Bela poesia...

marcio m disse...

Meu amigo existe um blog Português
chamado Nova àguia,vou indicar seu nome para fazer parte do conselho deste blog,você vai poder postar suas poesias tambem neste blog.Abraços.

Anônimo disse...

Olá Eder, tudo bem?!
Aprecio sempre as tuas obras. Belas obras!
Muitas inspirações na tua vida, para que esta fonte permaneça em constante evidência.
Parabéns!