terça-feira, janeiro 03, 2012
seria um sucesso, propaganda no horário nobre do Jornal Nacional, fábricas e editoras não dariam conta de mil edições em um ano
as crianças, ah... as crianças leriam mais que qualquer adulto - e teria tanto adulto lembrando-se que é criança
saladas de frutas acompanhando a leitura, jazz bebop ecoando no sarau, nos sebos e nos recitais, sons e cores no alaúde, banjo, berimbau, xilofone, acordeon, cítara, agogô, afoxé, castanhola, reco-reco, tantã, atabaque, surdo, xequerê e um berrante costurando a silhueta melodiosa do saboroso livro que reverbera poesia e prosa, história e estória, conto e cordel, sagas e mitologias, curiosidade, cotidiano, ecologia, folclore, cultura popular da idade média, alta, baixa, brasilidade, universalidade, africanidade, humanidade
alguém depois de ler e se lambuzar, iria dizer: ainda bem que acabou a censura
seria este o best-seller?
-- http://www.radio.uol.com.br/musica/john-coltrane/naima/225103 --
sábado, outubro 01, 2011
no blind no
Todas as lembranças comprimidas
Cabendo em um só pensamento...
Como...
Eu vivi, eu tentei, eu quis...
Eu aceitei, eu traguei a vida
Na maioria das lembranças meu peito está escancarado
As lágrimas sobrevoam além das nuvens
E num prisma inesperado colorem meu horizonte infantil
Na profundidade do olhar que parece não focar nada
A textura da minha pele vai mapeando o tempo
Se o meu rosto não é tão suave, as lembranças são ainda mais leves
Se a barba enrosca atrevida nas unhas, não posso acordar tarde
Retenho-me à quietude do despertar, onde por um segundo não sei de nada
E é tão saboroso este breve instante - tão resplandecido de naturalidade
Nem a gravidade é notada, o espreguiçar esboça um voo, que logo se vê que é tolo
Cerro os punhos, concentro a força na mão contraída - sinto o ânimo
A pele recorre ao sangue que percorre os estreitos caminhos da carne
A carne que estremece, que obedece até a mais tola das emoções
Sobretudo, as emoções atemporais
Que não tem validade nem morre no cais
Sobrevive às tempestades e às bússolas quebradas
quinta-feira, julho 14, 2011
Requiem para o presente
somos os homens
pequenos girassois os que mostram a cara
e Enorme as montanhas que não dizem nada.'' Raul Seixas
não podemos perder o elo que une o homem ao universo e à natureza inata de todas as coisas singelas e estantâneas que surgem ao palpitar do coração, ao piscar dos olhos por onde passa alguém com frio querendo um abraço por onde passa o calor forma o laço que baila e rima a conVivênvia sem se render à conveniência que nos abate nos recua e desnuda nossa espontânea vontade de ser e só onde o sol não pede assepsia aos que se banham em sua luz generosa e justa
terça-feira, maio 04, 2010
Um Sorriso

quarta-feira, setembro 09, 2009
Pai - alma que minh´alma ama
PaiQue dia hein? 09 de setembro de 2009....
Mais um 9 de setembro...
Então Pai, setembro anuncia a chegada da primavera...
e mesmo que eu não soubesse seria, pra mim, a chegada da primavera
Você semeou minha vida com minha Mãe, adubou com terno amor sempre
Não se ateve a ser um mero pai, foi um pai-poeta, foi um pai-eureka:
Quando me levou ao mar, não foi apenas para apresentar ao mar apenas
Foi para me dar ciência da essência humana, mensurar a vida, ver o oceano interior
a unicidade das coisas boas, a gota que se torna imensidão e ganha consciência plena
Ao me levar no circo, me proporcionava visões mágicas, tocava meu ombro pra observar algo além -
se preciso até me levantava para ver o que estava por trás e me esbugalhava os olhos...^^
Na saída, ao vermos um palhaço com guarda-chuva cheio de pequenos guarda-chuvas ^^
Disse: Vai, converse com ele... e eu fui - sentindo um palhaço me conduzindo a outro
Pois enches minha vida de cor, minha infância de doces e encantadas descobertas...^^
O primeiro brinquedo, as viagens aventureiras, as madrugadas que acordava cedo pra viajar contigo...ai quão gostoso é...
Das inúmeras vezes que ia para a sub-estação da coelba, e você lá, vendo 'Sem Censura", saboreando inúmeras laranjas .. ora e outra fazia a rotina, colocava as botas, o capacete, ia lá fora, fazer chegagens... ^^ Pequenas coisas - gigantescas lembranças
Testemunhava sua calma, seu ócio criativo, os desenhos de geometria perfeita, circulos dentro de circulos e no fim , davam formas fascinantes aos olhos...^^
Madrugadas que levantava da cama, descia as escadas, ouvia a TV baixinha soar vozes....e lá estava você, assistindo Jô Soares.... ^^ entrava de mansinho, perguntava quem era, depois sentava... fazia outra perguntava, rss, vc dizia: ''perae, quero ouvir aqui...rs''
Já bastava o som da faca descacando a laranja, cortando ao meio, logo depois, ao tirar a faca do corte, conduzia até a boca, e lambia a ''pequena poça'' que ficava na lâmina da faca e passava entre os labios, como a máquina de escrever correndo de um lado ao outro...rsrs...^^
e não deixava uma gota de suco no que restava da laranja ao fim....
Pai, inúmeras são as lembranças, as marcas que ficaram e surgem sempre...
Você é uma virtude em mim!
Você é um exemplo de naturalidade, de encarar a vida com uma sapiência tremenda e ao mesmo tempo com soberbo instinto arcaico, no prazer de trabalhos manuais obsoletos, coletivos, filantrópicos...
Você, em seu ambiente, só de pensar, canalizar energia positiva, exalar amor, já inunda de boa ventura tudo ao redor
Feliz Aniversário, Painho
Abraço eterno
Te amar é realmente viver - pois vejo a unicidade de ver tudo em tudo ^^
Namastê
segunda-feira, maio 18, 2009
pegadas na areia cabana de criança
a saudade das pegadas na areia
do som do teu riso, do teu olhar tentando contemplar o céu e sua esfera
nossas mãos dadas, soltas, entrelaçadas, soltas, beijadas...
a saudade de nossa pressa em abrir o presente um do outro =)
do sono que chegava e você espantava perguntando:
- Amor, qual o sabor você prefere? Da pizza amor?
a saudade das nossas corridas para pegar o ônibus que ia saindo do ponto
não sabíamos se ríamos ou gritávamos: - Motor! Ei! Esperaaaa...!...!...
a saudade do cansaço disperçado depois de sentar na poltrona
olhando árvores distintas, o ocaso que prenunciava mais uma noite a vir
o discreto prazer de colocar a mão pra fora e sentir o vento dançá-la
...
a saudade da saudade breve - minutos esperando você voltar da escola
você chegar suada, lavando o rosto, molhando a sala, deitando na esteira
seu gosto de comer arroz com vinagre e feijão enquanto eu tomava mingau
saudade do seu olhar quando me viu voltar da viagem longa...longa...
da sua feição sorridente ao ver uma criança sorrindo na frente do espelho
do seu olhar triste vendo que a fome regride nossa humanidade na esquina
ah, lembrei...
a saudade do dia que enfeitamos a praça para a festa de são joão
nossos amigos vieram com cartolinas (rsrs), futuras bandeirolas
ficamos cortando no banco da praça - colorindo o chão - parecia piraça para o cinza que mal clareava, exceto quando jogavam pipocas para os pombos
saudade da madrugada de insônia a querer falar de todos os sonhos numa noite
saudade do teu francês diante do meu francêsguês - a bientot mon doux
a chuva nos cortejando a caminho do mar - como foi gostoso - dois molhar =)
do seu carinho ao ajeitar meu travesseiro, beijar minha testa, ver meu bocejo
saudade do carteiro que trazia tua letra, teu cheiro, a impressão da tua alma
tua postura correta quando falavámos de RPG, LER e conteplava a arte Monet
teu dengo quando eu falava do teu encantado olhar, da tua beleza sem par
saudade do teu afago quando eu sentia falta da minha avó, do meu cão, do meu velotró, do meu baú, do jardim de infância, da amada pró, de John Lennon, de Castro Alves, de Raul Seixas & o Cortêz - Capitche!
Saudade dos dois frames que te via levantar com olhos tão doces - queria aquele mirar...
saudade da fogueira na beira do rio, roda de viola, amigos, vinho e você no meu colo - com frio
e dizia: - amor, você está coberto? Esfregava a mão em meu braço, perna, coração =)
te levando no colo para a cabana - seus olhos fechando e abrindo, piscava como as estrelas da madrugada...saudade de nosso sono moldado pela terra
saudade do nosso despertar - brâmido do mar, ventania querendo levar o cobertor. você puxava a coberta, cobria o rosto, depois sorria e me puxava pra cama. Fazia uma "cabana de criança" - levantando as pernas e os braços, pedindo minha ajuda... saudade daquela luz laranja dentro da cabana de criança, dos nossos beijinhos matutinos...
E...
a maior saudade...
a saudade do que virá
domingo, abril 19, 2009
A fonte

Se descortina diante de nós um horizonte de vileza
um rio transbordante de mágoas, de oléo negro, sem sutileza
fecho os olhos e a ardência é maior do que estar diante de cenários inóspitos
(tosse...)
Não sei como respirar sentindo um cheiro mais azedo que fel, e vendo trasncorrer mel dos meus bolsos cheios de planos azuis
(espirro..)
A poeira que me inunda não sai dos galpões da arte que um dia vi construir com tanto esforço...
sai das mineradoras onde crianças se esfolam arduamente por centavos, por impérios incrédulos
(espanto..)
Como? Como o homem deixou as árvores, raízes que permeavam a terra com tanto esmeiro, sustentando o sulco da vida, a seiva serena do fruto sabor, como deixou elas encolherem, retorcidas, vencidas pelo descalabro tinhoso desse sistema mórfico...
(lágrimas...)
Ao menos uma criança arrasta latas de frutas industrializadas, fantasiando um trem, com vagão dos avós, onde tem balanças, onde tocam flautas para embalar seu cochilo; vagão dos pais, tios, professores, onde tem mesas para jogarem dominó, xadrez e baterem um papo... e o vagão das crianças, onde passeiam cães e gatos, entre bolas, apitos, pirulitos e velotróis....
ao menos ela se açanha quando ver uma música tocar, quando vê um palhaço (descolorido, faminto, maltrapilho) sentado no batente quente da fábrica que tomou o lugar do circo...
(soluços...)
Preciso encontrar a fonte, a fonte onde tudo se inicia, onde posso beber mais do que água fria...
Lá, lá deve ser quentinho, como o ventre da mãe... lá poderei deitar, seguramente não irei tossir, me espantar, chorar nem ter soluços...
(caminho para a fonte...e diante da fonte, encontra um espelho)
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Havia vastidão em verde
Havia uma vastidão em verde
Agora ver-de
há uma vastidão tamanha e dispersa
e há beleza também
Há uma arquitetura sublime na amplidão
Cores se contrapondo e pondo um tom leve
Convidativo para uma chuva
Compátivel ao mais forte sopro do vento
e há também a sensação de maciez nesse monte
paradoxo aos asperos galhos, mas há !
Serviria de esponja para lágrimas cadentes
Para seres machucados, enxarcados de ver
tanta vida
tanta gente
tanto verde
E agora... Ver-de como se encontra alento nesse campo sedento
sedento de olhos atentos aos seus encantos serenos
deixem ao menos o suor, o calor de sua presença emanar este campo com mais vida
Porque vida já há!
E há uma vastidão tamanha... enigmaticamente tamanha
terça-feira, janeiro 27, 2009
O "se" no auge; o "sí" no apogeu

Se uma semente fosse plantada
e com amor cultivada
e os frutos distribuídos
para vizinhos e entes queridos;
Como haveriam estranhos?
Como haveria carência?
Se os olhares fossem trocados
com sincero gesto e afago,
E os cumprimentos fossem dados
com franqueza e amparo;
Como haveriam solitários?
Como haveriam mal-amados?
Se os “lideres” cuidassem
do povo
Como os pastores cuidam
das ovelhas,
e as promessas fossem reais,
alheias ao sentimento materno;
Como haveriam mendigos?
Como haveria inanição?
Até quando escreveremos o “se”?
Até quando viveremos pra “si”?
Até quando será normal ver
criança passando fome?
Até quando será banal ver
jovens fora da escola...
cheirando cola?
Éder Carneiro Cardoso e Silva
quarta-feira, novembro 12, 2008
Já era (! ou ?)

Pensei em seguir
Parei!
achava que era questão de sensibilidade
que estava aquém do momento e da minha idade
Mas logo pude perceber que estava fantasiando-me
Criando verdades, infiltrando minha sensatez
Invadindo minha mente convicta como um vírus invade uma célula, se passando por agente necessário =0 ... e aí... já era...
Já era parte de mim, já se proliferou no meio
Então ficava na brevidade constante, como os suspiros de um cantor a cada verso entoado
Assim eu estava, em busca de fôlego para discernir e controlar a ansiedade - que é inalada junto com oxigênio, nesses tempos modernos - involutariamente contraída
- Mas do que se trata? Qual o problema?
- Não há problemas!!!
- Então, o que é?
- Ora! Estou vivo. O segundo seguinte de vida é um ato seguido, é um novo pesar...pensar.
Não tem lógica. A vida é assim com todos, você não é o único. Explique-se melhor!
- Humm.. não sei... acho que é a liberdade, a dispersão, a variedade de rotas, a metamorfose. O querer de hoje já não é o belo querer de amanhã. E aí, ficamos como um ribeirinho, que nunca entra no mesmo rio; como uma estação de trem, que não difere mais um vagão do outro. Aliás, como os gráos de areia da ampulheta - só funciona se mudar de lado. É isso!! Sou condenado a ter a liberdade de mudar...
- Meu Caro, um barco muda de cais, muda de praia, de oceano, de rota! Mas o seu lemo, a bússola lhe orienta. Não fica a deriva, a mercê do desdém do tempo. Pode mudar. Mude! Mas tenha controle da sua Náu!
- Quando eu tenho o controle, fico fatigado, caio no ostracismo... sei lá. Chegar, chegar. Avante, avante. Será que o diamante é belo porque escolheu ser diamante? Será que a ostra produz pérola porque idealizou antes? A borboleta deixou de ser casulo sem muito murmúrio.
- Meu caro, acredito que estáis se orientando agora. Vejo mais clareza, mesmo que em sua particular destreza.
- Nunca me ensinaram a admirar o sono de um animal. E nem por isso deixei de admirá-lo.
- Meu Caro, Pensei em seguir. Parei! Achava que era questão de sensibilidade; que estava aquém do momento e da realidade. Mas logo pude perceber que estava fantasiando-me.
Criando verdades, infiltrando minha sensatez. (Conluio?)
Invadindo minha mente convicta como um vírus invade uma célula, se passando por agente necessário =( ... e aí... já era?
terça-feira, julho 29, 2008
Tela

Tela
Me pintam sempre
Pintam flor, dor, amor
Sofrimento, céu azul, esplendor
Sob mim registraram uma vila prospera
Que foi sucumbida por um vulcão falido (adormecido)
Só não pintam a paz
Pois ela é alva, límpida como o céu
Eu sozinha, sem tintas, sem pincel
O futuro em traços esquisitos tentaram imprimir
Em moldura moderna me prenderam
Sob olhares nobres me expõem
Em salas de ouro me arrematam
Sinto saudade da minha infância
Num belo jardim, com poucas pinceladas – era feliz
Os pássaros me avistavam ao voar
E faziam seu ninho na arvore que me sombreava
E quando tive o último toque do pincel
Ouvi seu canto triste – mas belo
Hoje estou no museu antigo
Em meio às semelhantes tristes
Mas somos agraciadas pelos olhares de crianças contentes
E comungamos o sonho de voltar ao campo da infância
De retornamos ao primeiro toque do pincel
E avistarmos nossa tela bela
Éder Carneiro Cardoso e Silva
sexta-feira, maio 16, 2008
120 de Abolição ... Façamos uma Nova Áurea ....<>
Abolição já!
Vamos! Abolir a desigualdade
Vamos! Aderir a liberdade
Vamos! Ser uma irmandade
Nessa era de fúteis regozijos
Vamos! Abolir a Lei Áurea
Não se enganem com o passado
Façam já uma Nova Áurea
Defira a eles o que é direito
Torne o Brasil uma Nova África
Faça luzir a amplitude impávida dos pilares deste chão lavrado
Pelo suor e pelo sangue dos heróis do Novo Mundo
Vamos! Não queiram que as gerações vindouras - seus netos - esqueçam
Desse valor, pois o tempo distorce o decreto da Era imperial
Vamos! Instituir já esta Áurea Nova, Completa!
Em prol dos futuros homens desta terra
Vamos! Não nos fitemos com memorandos de redenção
Exerçamos em hora os ideais de uma nação constituída de raças
Que se sobrepõem colocando-se lado a lado
Um Condor passava sobre o mar negreiro e adentrou ao navio insóbrio
Saiu antes de esmorecer pelo horripilo espírito que jaz ia resplandecer
Contudo, carregou a tocha aclamante da liberdade para clarear o pesadelo
Visto pelos homens que enxergara um “sonho” com tamanha insanidade
Repudiando a lucidez ao consentir com a barbárie
Vamos! Ainda estamos inertes, dormindo na lama da vaidade
Nossa pupila ainda enxerga pobreza e inferioridade
Naqueles que a natureza deu vigor e humildade
Oh! Ainda se vê acepção, ainda se fala em superioridade
O Sermão da Montanha deveria ser atualidade
Vamos! Tenhamos consciência do sangue que jorra
Na veia dos descendentes
Este sangue traz aos seus corações as lamúrias
Ecoantes dos que gastaram a vida nas senzalas, nos açoites
Não basta se redimir, dar menções honrosas, além disso, e principalmente,
Dê-lhes seu coração, lugar na sua alma...
Até que um dia não se falará mais nisso
Não se verá mais soluços e vestígios de dor
Nem pautará as leis para este dispor
Haverá tamanha comunhão
Em um estado de igual magnitude e tão comum equanimidade
Que as memórias até então imemoráveis serão transladadas
Ficará a singela afeição pelos lírios dos vales que o fizeram
Lembrar que houve espíritos nobres que inundaram a terra
Com amor sem cessar
Homens audazes, que plantaram clamores e colheram fervores
Da nação almejada
E ver-se-á um Condor voar para os Andes
E ali fitará o mar onipotente, límpido
Coberto de um manto alvo - mais que a neve - que ele tecera
Um poeta será homenageado sempre
Com tanta avidez e espiritualidade
Que o pulsar do coração rimará:
Castro Alves
Éder Carneiro Cardoso e Silva
quinta-feira, março 20, 2008
'Soneto' à musa
Óde à poesia, lua, musa e tudo que conspiraEstava na varanda admirando a lua carente
E pensei: como pode tanto brilho reluzente
Não lhe render mais que a glória de clarear a noite dos amantes
O seu altruísmo em refletir a luz do sol
Faz com que a noite não adormeça o girassol
Mas uma musa adormece enquanto o poeta tece
Seus versos embalados na onda do universo
Que une a lua, a musa e o poeta
Ela estava debruçada na cama de lençóis claros
Senti que exalava e flamejava um fluir intitulável
E me vi fascinado por uma imagem geralmente normal
Era inexplicável e ao mesmo tempo tão explicito
Que ao seu redor havia uma áurea que encantava a noite calma
E minha áurea fascinada a sua áurea contornou
O encanto do sono se revelou
O perfume das tulipas roxas lhe foi destinado
Ela que chamo de musa
Ela que chamo de chama da minha poética
Senti a lua incidir seu brilho com mais intensidade
E as estrelas loucas, querendo me cativar
E roubar a atenção que não conquistava na cidade
Voltei à janela, afaguei-a de longe
Repousei, respirei fundo e senti a paz de um monge
Éder Carneiro Cardoso e Silva
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Era outra vez... (dedicado à Márcio Nietzsche)
Era outra vez...
Era uma vez... um ser humano que "não tinha vez"
que pensava diferente, que andava "de trás pra frente"
que não gostava de abrir os dentes para mostrar que era alegre ou carente
Era uma vez... um homem que conseguiu fazer o percurso de volta...
sentiu o peso da existência e se espantou com a leveza da humana-idade...
Não saracoteou com retrógrados programados para um conluio em vão...
pode até ter sido libertino ou pragmático - mas nunca dogmático!
Encontrou o prazer da vida sem contar os emaranhados onde deleitam-se às coisas supérfluas...
Lançou-se em utopias, musicou tristezas em alegrias, despiu-se mesmo sentindo frio e viu como é vil o homem
Era uma vez... mas poderia ser milhares de vezes...
pois quem não teme a inadimplência do tempo,
não se afugenta diante do mesmo sol em nenhum momento..
Nem o viço, muito menos o vício que lhe medirá na balança etérea da consciência
É mais fácil ele ser descrito em uma coincidência entre o existir e o desistir de ser
Era outra vez... e daquela vez, era o mesmo, sem pseudo-nome, sem sombra nem lei.
Éder Carneiro Cardoso e Silva - 2008
quinta-feira, outubro 11, 2007
Amor incontido

E uma felicidade infeliz nos acompanha a todo tempo
Como ver os outros cheirando as rosas sem nem perceber o aroma
que passa tão perto
Desejar uma rosa cercada, inalcançável; e não conseguir exalar o cheiro das que consegue colher...
Elas murcham, e você as encharca com lágrimas solitárias.
Lágrimas que refletem a impossibilidade de conter tanto amor por uma só pessoa, que, por força do destino desritmado, é apenas um atalho na sua vida, um trecho que deixará eternas lembranças, doces lembranças.
Pessoa que te encantava nos mais simples gestos.
Ao vê-la dormindo, ficava adimirando-a, como um anjo você adornava-lhe de preces e bons fluidos!
Você vê os ponteiros do destino mudando, distanciando-a cada vez mais. Uma vida que morre, você sente que vai mudar de vida, já que mudará a convivência... e sepultar este cotidiano que te contentava tanto... Não é fácil!
Amo-a com toda minha alma, com minhas víceras efêmeras!
Meu espírito transcende quando nos comunicamos... Sublime sensação!
Todos os momentos se tornam sagrados, vontade de chorar cada vez que olho em seus olhos, cada vez que vejo sua alegria estonteante...
Cada amanhã que desponta no horizonte
Contrasta com cada ontem que desejava reviver como criança
Dormir em seu colo por uma noite...
E nada mais faltaria
Tudo de menos valeria!
Um sono vivo!
Eterno
Éder Carneiro Cardoso e Silva
segunda-feira, agosto 13, 2007
Papel e caneta
O que me importa nessa hora?
Que tema eu devo salutar?
Que palavra eu devo agigantar?
Será de amores, de dores,
de prazeres, de fervores?
Ou seria da ausência, da falência,
do dramático, do hilário?
Enquanto eu não sei o que escrever
Que sentido obedecer
O tempo passa, e leva junto
a inspiração
pois, esperei o futuro,
desprezei o presente,
busquei outras sensações
e esnobei do coração
as etéreas emoções.
Éder Carneiro Cardoso e Silva
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Foi de repente
o tempo desfez tudo
o olhar ficou desfocado, congelado
desprezando o tempo insólido
olhando formas indecifraveis
onde antes havia sua foto...
e o passado vigorou novamente
não há mais amor
nem glória
nem heróis descendo do céu
apenas a vontade de estar com você
apenas a vontade de estar em seu braço
apenas a vontade de ser o seu abraço
apenas a vontade de te desenhar em um traço
apenas a vontade de te provar que não sou de aço
e as desculpas, como folhas secas
servem apenas pra sonorizar a despedida
enfatizar os passos de alguém que despreza o espaço em meu coração
e esquece que esqueceu o dia que me amou
um diluvio não irá superar meu pranto
um raio não será mais quente que meu clamor
eu não consigo me amar sem você
eu não consigo me olhar sem você
eu não sei viver sem...nem.... vem!
Éder Carneiro Cardoso e Silva 06/02/07
quarta-feira, novembro 15, 2006
Várias poesias e versos soltos
a tua pele corada ficando suada com o atrito
entre os corpos
os teus lábios cerrados encostando no meu,
macio como um pêssego, afável como a sêda
sinto um frio e um calor dentro de mim
e uma vontade de esquecer a finitude
deste instante..."
Relaxe
Relaxe, a vida é sutil
Porêm o mundo é vil e nos torna pessimistas.
Relaxe, olhe a sua volta,Observe a perseverança da natureza
Diante do descalabro humano.
Rerlaxe, existe o amor verdadeiro,
Mas é bem provável que você desacredite
Quando passar por decepções inesperadas.
Relaxe, querer agradar sempre
Vai te desagradar quando não puderes agradar constantemente.
Relaxe e ache dentro de si,
A voz da alma que é abafada
Pelo ego que finge ser teu coração.
"O poeta entende a alma do universo quando uni versos"
... e o coração entende que gosta de alguém quando a finitude da companhia se faz presente"
"Saudade: principal percussora das lágrimas que germinam o sentimento por alguém"
Quis rezar para pedir a Deus que te separe para mim
ofereci sacrificios intransponiveis e todo meu louvor por um instante com vc
de magia, clareado pelas estrelas cadentes
Eu fui teimoso, tentei outra vez
Te encontrei, te ninei.
e o sol forte me fez abrir os olhos e te deixar escapar"
"A magia esta na finitude dos bons momentos que passamos com quem nos mostra a amplitude da vida nas pequenas coisas"
" A tristeza é uma represa onde contemos o tédio, a inércia o medo e a nobreza de não dividí-la com ninguém"
"A ignorância é o entupimento do ralo por onde escoa a água com a sujeira do ego"
Poemas, versos soltos e pensamentos por: Éder Carneiro Cardoso e Silva
quarta-feira, agosto 23, 2006
quarta-feira, julho 19, 2006
Texto não-recente(2002), valor atual
No simples avistar da paisagem vejo a beleza da vida
Entrego ao meu pulmão o mais puro oxigênio
E devolvo com satisfação o gás carbônico para a natureza continuar o ciclo;
E tirar do meu pensamento o vício que a civilização insiste em alimentarao achar que ganham mais transformando “ela” em dinheiro, e construindo caos, Ah! Como eu lamento, mas lamentar não adianta.
Quem me dera ver os cientistas clonarem Che Guevara, Gandhi, Martin L. King...
Mas não, eles irão clonar pessoas simples, pessoas que pensam como nós pensamos - apenas pensamos, e não convertemos a fé em ação.É... Construímos em sonhos castelos, e não levantamos nem sequer uma parede de indignação diante do que fazem com a nação;
Respondemos a pesquisas, manifestamos a nossa discórdia, enquanto em nossa cidade tem injustiça, antiética na câmara municipal, e não temos coragem de irmos ocupar nosso espaço na tribuna, e exercermos nossa cidadania.
Ah! Cidadania, será que sabemos traduzir essa palavra, será que somos cidadãos, ou apenas fantoches dos maquiavélicos que insistem em usurpar dos humildes e corromper os ambiciosos, que quase sempre estão do nosso lado, mas não jogam a nosso favor, a favor da justiça, da honra e da verdade.Insensatez?
Descartem-na do nosso vocabulário, não busquemos válvulas de escape.Busquemos o calcanhar de Aquiles daqueles que estão sugando nosso suor, e dão-nos apenas a dose mínima para que sempre estejamos pedindo com a garganta seca mais uma gota d´água, e, ironicamente, a fonte é nossa, eles que se propõem em cuidar, porém quando falham, maquiam os rostos para confundir a massa, que infelizmente, aliás, propositalmente não receberam instruções e conhecimentos para discernir o joio do trigo.
Esses tiranos almejam a oligarquia, esquecem que iram ver a ferrugem degredar sua riqueza, a traça e o cupim consumirem suas especiarias.Ai sim eles verão que muito na mão de poucos, é muita água pra cano frouxo.
Eder Carneiro Cardoso e Silva
Publicado no Recanto das Letras em 02/11/2005Código do texto: T66469
