quinta-feira, março 20, 2008

'Soneto' à musa

Óde à poesia, lua, musa e tudo que conspira

Numa madrugada pouco fria sem estrela cadente
Estava na varanda admirando a lua carente
E pensei: como pode tanto brilho reluzente
Não lhe render mais que a glória de clarear a noite dos amantes

O seu altruísmo em refletir a luz do sol
Faz com que a noite não adormeça o girassol
Mas uma musa adormece enquanto o poeta tece
Seus versos embalados na onda do universo
Que une a lua, a musa e o poeta

Ela estava debruçada na cama de lençóis claros
Senti que exalava e flamejava um fluir intitulável
E me vi fascinado por uma imagem geralmente normal

Era inexplicável e ao mesmo tempo tão explicito
Que ao seu redor havia uma áurea que encantava a noite calma
E minha áurea fascinada a sua áurea contornou

O encanto do sono se revelou
O perfume das tulipas roxas lhe foi destinado
Ela que chamo de musa
Ela que chamo de chama da minha poética

Senti a lua incidir seu brilho com mais intensidade
E as estrelas loucas, querendo me cativar
E roubar a atenção que não conquistava na cidade

Voltei à janela, afaguei-a de longe
Repousei, respirei fundo e senti a paz de um monge

Éder Carneiro Cardoso e Silva

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Era outra vez... (dedicado à Márcio Nietzsche)

*(poesia oriunda de um comentário à poesia de Edson Márcio - Era uma vez)*

Era outra vez...

Era uma vez... um ser humano que "não tinha vez"
que pensava diferente, que andava "de trás pra frente"
que não gostava de abrir os dentes para mostrar que era alegre ou carente
Era uma vez... um homem que conseguiu fazer o percurso de volta...
sentiu o peso da existência e se espantou com a leveza da humana-idade...
Não saracoteou com retrógrados programados para um conluio em vão...
pode até ter sido libertino ou pragmático - mas nunca dogmático!
Encontrou o prazer da vida sem contar os emaranhados onde deleitam-se às coisas supérfluas...
Lançou-se em utopias, musicou tristezas em alegrias, despiu-se mesmo sentindo frio e viu como é vil o homem
Era uma vez... mas poderia ser milhares de vezes...
pois quem não teme a inadimplência do tempo,
não se afugenta diante do mesmo sol em nenhum momento..
Nem o viço, muito menos o vício que lhe medirá na balança etérea da consciência
É mais fácil ele ser descrito em uma coincidência entre o existir e o desistir de ser

Era outra vez... e daquela vez, era o mesmo, sem pseudo-nome, sem sombra nem lei.

Éder Carneiro Cardoso e Silva - 2008

quinta-feira, outubro 11, 2007

Amor incontido


Um dia a gente cansa, de fingir de ser criança.
E uma felicidade infeliz nos acompanha a todo tempo
Como ver os outros cheirando as rosas sem nem perceber o aroma
que passa tão perto
Desejar uma rosa cercada, inalcançável; e não conseguir exalar o cheiro das que consegue colher...
Elas murcham, e você as encharca com lágrimas solitárias.
Lágrimas que refletem a impossibilidade de conter tanto amor por uma só pessoa, que, por força do destino desritmado, é apenas um atalho na sua vida, um trecho que deixará eternas lembranças, doces lembranças.
Pessoa que te encantava nos mais simples gestos.
Ao vê-la dormindo, ficava adimirando-a, como um anjo você adornava-lhe de preces e bons fluidos!
Você vê os ponteiros do destino mudando, distanciando-a cada vez mais. Uma vida que morre, você sente que vai mudar de vida, já que mudará a convivência... e sepultar este cotidiano que te contentava tanto... Não é fácil!
Amo-a com toda minha alma, com minhas víceras efêmeras!
Meu espírito transcende quando nos comunicamos... Sublime sensação!
Todos os momentos se tornam sagrados, vontade de chorar cada vez que olho em seus olhos, cada vez que vejo sua alegria estonteante...
Cada amanhã que desponta no horizonte
Contrasta com cada ontem que desejava reviver como criança
Dormir em seu colo por uma noite...
E nada mais faltaria
Tudo de menos valeria!
Um sono vivo!
Eterno

Éder Carneiro Cardoso e Silva

segunda-feira, agosto 13, 2007

Papel e caneta

O que eu quero escrever agora?
O que me importa nessa hora?
Que tema eu devo salutar?
Que palavra eu devo agigantar?

Será de amores, de dores,
de prazeres, de fervores?
Ou seria da ausência, da falência,
do dramático, do hilário?

Enquanto eu não sei o que escrever
Que sentido obedecer
O tempo passa, e leva junto
a inspiração
pois, esperei o futuro,
desprezei o presente,
busquei outras sensações
e esnobei do coração
as etéreas emoções.

Éder Carneiro Cardoso e Silva

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Foi de repente

foi de repente
o tempo desfez tudo
o olhar ficou desfocado, congelado
desprezando o tempo insólido
olhando formas indecifraveis
onde antes havia sua foto...

e o passado vigorou novamente

não há mais amor
nem glória
nem heróis descendo do céu
apenas a vontade de estar com você
apenas a vontade de estar em seu braço
apenas a vontade de ser o seu abraço
apenas a vontade de te desenhar em um traço
apenas a vontade de te provar que não sou de aço

e as desculpas, como folhas secas
servem apenas pra sonorizar a despedida
enfatizar os passos de alguém que despreza o espaço em meu coração
e esquece que esqueceu o dia que me amou

um diluvio não irá superar meu pranto
um raio não será mais quente que meu clamor
eu não consigo me amar sem você
eu não consigo me olhar sem você
eu não sei viver sem...nem.... vem!

Éder Carneiro Cardoso e Silva 06/02/07

quarta-feira, novembro 15, 2006

Várias poesias e versos soltos

"A tua pupila dilatando diante do meu olhar
a tua pele corada ficando suada com o atrito
entre os corpos
os teus lábios cerrados encostando no meu,
macio como um pêssego, afável como a sêda
sinto um frio e um calor dentro de mim
e uma vontade de esquecer a finitude
deste instante..."
Relaxe

Relaxe, a vida é sutil
Porêm o mundo é vil e nos torna pessimistas.
Relaxe, olhe a sua volta,Observe a perseverança da natureza
Diante do descalabro humano.
Rerlaxe, existe o amor verdadeiro,
Mas é bem provável que você desacredite
Quando passar por decepções inesperadas.
Relaxe, querer agradar sempre
Vai te desagradar quando não puderes agradar constantemente.
Relaxe e ache dentro de si,
A voz da alma que é abafada
Pelo ego que finge ser teu coração.

"O poeta entende a alma do universo quando uni versos"

... e o coração entende que gosta de alguém quando a finitude da companhia se faz presente"

"Saudade: principal percussora das lágrimas que germinam o sentimento por alguém"


Quis rezar para pedir a Deus que te separe para mim
ofereci sacrificios intransponiveis e todo meu louvor por um instante com vc
de magia, clareado pelas estrelas cadentes
Eu fui teimoso, tentei outra vez
Te encontrei, te ninei.
e o sol forte me fez abrir os olhos e te deixar escapar"

"A magia esta na finitude dos bons momentos que passamos com quem nos mostra a amplitude da vida nas pequenas coisas"

" A tristeza é uma represa onde contemos o tédio, a inércia o medo e a nobreza de não dividí-la com ninguém"

"A ignorância é o entupimento do ralo por onde escoa a água com a sujeira do ego"

Poemas, versos soltos e pensamentos por: Éder Carneiro Cardoso e Silva

quarta-feira, agosto 23, 2006

Alma

A marca da alma:
Amar cada alma

quarta-feira, julho 19, 2006

Texto não-recente(2002), valor atual

Visando a vida


No simples avistar da paisagem vejo a beleza da vida
Entrego ao meu pulmão o mais puro oxigênio
E devolvo com satisfação o gás carbônico para a natureza continuar o ciclo;
E tirar do meu pensamento o vício que a civilização insiste em alimentarao achar que ganham mais transformando “ela” em dinheiro, e construindo caos, Ah! Como eu lamento, mas lamentar não adianta.
Quem me dera ver os cientistas clonarem Che Guevara, Gandhi, Martin L. King...
Mas não, eles irão clonar pessoas simples, pessoas que pensam como nós pensamos - apenas pensamos, e não convertemos a fé em ação.É... Construímos em sonhos castelos, e não levantamos nem sequer uma parede de indignação diante do que fazem com a nação;
Respondemos a pesquisas, manifestamos a nossa discórdia, enquanto em nossa cidade tem injustiça, antiética na câmara municipal, e não temos coragem de irmos ocupar nosso espaço na tribuna, e exercermos nossa cidadania.
Ah! Cidadania, será que sabemos traduzir essa palavra, será que somos cidadãos, ou apenas fantoches dos maquiavélicos que insistem em usurpar dos humildes e corromper os ambiciosos, que quase sempre estão do nosso lado, mas não jogam a nosso favor, a favor da justiça, da honra e da verdade.Insensatez?
Descartem-na do nosso vocabulário, não busquemos válvulas de escape.Busquemos o calcanhar de Aquiles daqueles que estão sugando nosso suor, e dão-nos apenas a dose mínima para que sempre estejamos pedindo com a garganta seca mais uma gota d´água, e, ironicamente, a fonte é nossa, eles que se propõem em cuidar, porém quando falham, maquiam os rostos para confundir a massa, que infelizmente, aliás, propositalmente não receberam instruções e conhecimentos para discernir o joio do trigo.
Esses tiranos almejam a oligarquia, esquecem que iram ver a ferrugem degredar sua riqueza, a traça e o cupim consumirem suas especiarias.Ai sim eles verão que muito na mão de poucos, é muita água pra cano frouxo.

Eder Carneiro Cardoso e Silva

Publicado no Recanto das Letras em 02/11/2005Código do texto: T66469

quarta-feira, junho 07, 2006

Postagem dupla






Postagem I de II

Volta em si

Sigo estes passos dia após dia
E ainda sinto esse pesar
Escuto sua voz pelo ar
E esse instante é eterno
É fácil dar a volta no mundo
Quando não se consegue voltar a si mesmo
Vejo as estrelas despencarem ao me ver
Desiludidas com meu coração covarde
Largou o amor por medo de ser dois em um
Queria ser o caçador a todo tempo
Queria ser livre, preso no orgulho
Hoje rogo por você
Mas jamais me ouvirá
Pois o barulho das tuas lagrimas é mais alto
Que meu grito de dor
E o vazio do meu coração é menor
Que tua alma entristecida

Éder Carneiro Cardoso e Silva
28/05/06

-- -- = -- -- = -- -- = -- -- = -- -- = -- -- = -- -- = -- -- = -- -- = -- -- = -- -- = -- -- = -- -- = --
Postagem II de II


Um anjo com tulipas

E numa manhã de sol irradiante
Refletindo no orvalho que ofusca a janela
Chegarei com lindas tulipas a tua porta bem cedinho
E sentarei na escada à sua espera
Quando vieres regar as flores do jardim
Tocarei teu ombro com este ramo
E te abraçarei incontidamente
Um abraço sem validade
Pousarei minhas asas
E deitarei em teu colo
Me encontrarei em teus olhos
Respirando o perfume que as tulipas
Ofegaram na formosa textura dos seus lábios

Éder Carneiro Cardoso e Silva
04/06/06

sexta-feira, maio 26, 2006

Percepção de um sentimento - "Ela em mim"




Ela em mim


O frio é sua ausência
Sinto calor com sua presença
Mas você passa e olha pra mim sem emoção
Pergunta se estou bem, com um ar de esnobação
E eu volto pra casa sozinha, pensando em você
Fico vendo o jardim pela janela – as flores exalam seu perfume
As borboletas vem adorná-las com seu pouso, seu beijo
E procuro em mim o cheiro que te atraiu outrora
Não encontro, e perco a certeza de tê-lo algum dia
Dormir agora não é mais romântico
Não tem mais abraços, pernas entrelaçadas, cheiro no pescoço
Tomar café ficou frio, não tem mais frutas frescas cortadas com carinho
Beijos melados de mel, prato compartilhado com queijo e pão
E os olhos brilhantes de contentamento ao se encontrarem
Não há mais prazer em fazer o almoço cotidiano
Não escuto mais os elogios nem os suspiros ao meu ouvidos
Assistir um filme numa tarde fria é mais frio quer se molhar na chuva
O cobertor se torna gelo sem a pulsação do seu peito sob meu rosto
Durmo sem tomar café para evitar lembrar dos belos instantes
Em que chegavas em casa trazendo rosas e chocolates – e beijos
Esquecíamos o café, íamos pra varanda, você me colocava no colo
Recitava poesias olhando para as estrelas, olhando meus olhos
Hoje, sem você, pude perceber outro sentimento, que me mantém viva
Um sentimento que parece estar em nós desde o principio, é vizinho sempre
Ele não precisa nos tocar sempre, nos beijar para nos fazer bem, nos amar
Ele nos encontra nos momentos mais alegres, e nos tristes dias que vivemos
Afaga nosso coração sem cerimônias, deixar um rastro de saudade, e volta
Quando olhamos a lua, sentimos sua presença, pois ele também nos graceja sempre
Este sentimento denomina-se amizade
Este amante chama-se amigo
O frio passa
O calor volta aos corações
A paixão bate a porta

Éder Carneiro Cardoso e Silva
26/05/2006
17:47

quinta-feira, maio 25, 2006

Mensagem de Amor pela Vida , pelo Ser Humano




"Se eu pudesse deixar algum presente a você... Deixaria acesso o sentimento de amar a vida dos seres humanos. A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo a fora. Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem. Deixaria a capacidade de escolher novos rumos. Deixaria para você se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável: Além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação. E, quando tudo mais faltasse, um segredo: O de buscar no interior de si mesmo, a resposta e a força para encontrar a saída".
(Gandhi)

quarta-feira, maio 24, 2006

Araras da Liberdade


O pássaro e a alma

O homem que coloca um passarinho na gaiola
Faz o mesmo com a alma, impedindo-a de voar
E ao escutar o canto do pássaro ele acha que é alegria
Mas ao ouvir o murmúrio da alma sente-se em agonia

A alma que canta, clama à liberdade para fazer-vos livres
Livres da injúria bebida, da exacerbada racionalidade
Livres do egocentrismo, do desprezo pela origem divina
Todas as almas são gêmeas, todas são princípios da harmonia

Aquelas que são abafadas pelo pensar cru dos homens
Ficam no fundo do coração aguardando a alforria
Para impedir com azáfama que suceda o próprio perecer

Quando rompem as correntes e transladam no coração
Dão primor e encantamento pelo simples acarinhar do vento
E revogam-se contente, no canto absorvente do pássaro a bailar

Éder Carneiro Cardoso e Silva
17-05-06
Resplandecerá no céu do Novo Mundo as Araras da Liberdade...

domingo, maio 21, 2006

Caminho por casa


Caminho constante


Eu sempre sigo algum caminho, é minha condição humana
Eu nunca penso se estou sozinho, sempre sinto sua presença
Faço das pedras percalços para permanecer onde tudo emana
Ponho a mão no bolso para não sentir o frio da insana descrença
.
Começa a chover, a terra transpira, agradece aos céus com frescor
As aves vão para o ninho afagar os pequenos alados sem imunidade
Eu fico junto a uma árvore que relembra o manto de mãe; terno amor
Meu coração sente-se em casa, minha alma não quer voltar pra cidade

O céu termina sua graça e o arco-íris contempla o horizonte convidativo
Meus passos agora estão mais lentos, não tem pressa em sair desse campo
Cada orvalho, cada lírio, cada canto que ouço cria mais uma raiz no solo cativo

Quando piso o último pedaço deste campo, os meus olhos enxarcam-o em prantos
Percebendo o retorno do martírio, a natureza deserdada pela terra de tolos encantos
E já sinto a falta do manto, da chuva, da ave, dos lírios que me apresentaram o eterno campo

Éder Carneiro Cardoso e Silva
21/05/2006 -23:32